Como surge a Economia Circular
O aumento populacional, o crescimento da procura e a consequente pressão sobre os recursos naturais, reforçam a necessidade de as sociedades modernas avançarem para um paradigma mais sustentável e uma economia mais “verde”.
Neste contexto, surge o conceito de “Economia Circular”, um modelo de produção e de consumo que envolve a partilha, a redução, a reutilização, a recuperação, a renovação e a reciclagem de materiais, energia e produtos existentes, sendo um modelo que visa prolongar o ciclo de vida dos produtos. Assim, quando um produto chega ao fim do seu ciclo de vida, os seus materiais são mantidos dentro da economia e podem ser reutilizados, o que permite criar mais valor. Desta forma, em vez de seguir o modelo linear de “produzir, usar e descartar”, a economia circular promove a reutilização, reciclagem e transformação de materiais, criando um ciclo contínuo.
Este novo paradigma, vai além da gestão de resíduos e da reciclagem, propondo uma abordagem mais abrangente que inclui o redesenho de processos, a criação de produtos inovadores, o desenvolvimento de novos modelos de negócio e a otimização de recursos.
Materializa-se na minimização da extração de recursos, na maximização da reutilização, no aumento da eficiência e na oferta de produtos e serviços ecologicamente eficientes. Baseia-se em ciclos perpétuos de reconversão, tanto a montante quanto a jusante, promovendo o desenvolvimento económico, melhores condições de vida e emprego, além da regeneração do “capital natural”.
Estima-se que as ações “circulares” poderão gerar poupanças líquidas de cerca de 600 mil milhões de euros às empresas da UE (cerca de 8% do total do seu volume de negócios anual), criando 170 mil empregos diretos no setor da gestão de resíduos e, ao mesmo tempo, viabilizando uma redução de 2 a 4% das emissões totais anuais de gases de efeito de estufa.
Os benefícios da Economia Circular
A Economia Circular contribui para um planeta mais limpo, verde e sustentável. Entre os principais benefícios, destacam-se:
- Redução de Resíduos: A economia circular promove a reutilização, reciclagem e recuperação de materiais, minimizando a quantidade de resíduos descartados em aterros, evitando a poluição ambiental.
- Preservação de Recursos Naturais: Ao priorizar o reaproveitamento de materiais, reduz-se a necessidade de extração de matérias-primas virgens, garantindo a proteção dos ecossistemas.
- Redução de Emissões de Gases de Efeito Estufa: Processos de reciclagem e produção mais eficientes diminuem emissões relacionadas à fabricação e descarte de produtos, contribuindo para mitigar as mudanças climáticas.
- Redução de Custos de Produção: Empresas que utilizam materiais reciclados ou desenvolvem sistemas de produção otimizados podem reduzir as suas despesas operacionais, ganhando vantagem competitiva.
- Competitividade Empresarial: Organizações que adotam práticas circulares destacam-se no mercado, atraindo consumidores e investidores que valorizam a sustentabilidade.
O papel da União Europeia na transição para uma economia circular
A União Europeia (UE) está comprometida em construir uma economia circular com impacto neutro no clima até 2050. Para alcançar essa meta, a UE implementou um amplo conjunto de medidas que visam reduzir os resíduos e tornar os produtos mais sustentáveis. Em março de 2022, foi lançado o primeiro pacote de medidas focado em acelerar essa transição.
Essas iniciativas incluem novas legislações e revisões de normas existentes e desafiam setores-chave da economia a adotar práticas mais circulares em todas as etapas da cadeia de valor, desde a conceção até o consumo final.
O plano de ação europeu destaca a necessidade de integrar a circularidade e a sustentabilidade em todas as etapas produtivas e identifica 7 setores essenciais para liderar esta transição:
Plásticos
Numa tentativa de combater a poluição originada pelos resíduos de materiais plásticos, a Comissão Europeia propôs uma estratégia europeia para os plásticos em janeiro de 2018 para garantir que até 2030 cada pedaço de uma embalagem plástica possa ser reutilizado ou reciclado. A mesma estratégia visava igualmente reduzir o consumo de plásticos descartáveis e o uso de microplásticos.
Têxteis
A produção de têxteis consome grandes quantidades de matérias-primas e água, e atualmente apenas 1% dos materiais utilizados são reciclados. Para enfrentar este desafio, a União Europeia apresentou em março de 2020 a Estratégia para a Sustentabilidade e Circularidade dos Têxteis.
Esta estratégia estabelece como objetivo que até 2030, os produtos têxteis colocados no mercado da UE sejam de longa duração e recicláveis, e que sejam feitos tanto quanto possível de fibras recicladas e livres de substâncias perigosas.
Eletrónica e Tecnologias da Informação e da Comunicação
Os resíduos de equipamentos elétricos e eletrónicos os resíduos que mais crescem na União Europeia e só menos de 40 % são reciclados. Os eurodeputados desejam que a UE promova uma duração mais longa da vida útil dos produtos através da reutilização e da reparação.
Alimentos, água e nutrientes
Na União Europeia, estima-se que 10% de todos os alimentos produzidos acabam perdidos ou são desperdiçados. Em resposta a este problema, a CE apela a uma redução de 50% no desperdício alimentar até 2030, alinhando-se aos objetivos estabelecidos na Estratégia “Do Prado ao Prato”, que visa um sistema alimentar mais sustentável e eficiente.
Embalagens
Em 2021, na União Europeia, cada pessoa gerou em média 189 kg de resíduos de embalagens. Em abril de 2024, o Parlamento aprovou um acordo alcançado com o Conselho relativo à revisão das regras da UE sobre embalagens e resíduos de embalagens para reduzir sua quantidade.
Baterias e veículos
Novas regras exigem que a produção e o material de todas as baterias no mercado europeu tenham uma pegada de carbono mínima e respeitem os direitos humanos.
Construção e edifícios
O setor da construção representa mais de 35 % do total de resíduos da União Europeia. Para enfrentar esse desafio, deve-se prolongar a vida útil dos edifícios, estabelecer metas para reduzir a pegada de carbono dos materiais e implementar requisitos mínimos de eficiência energética e uso de recursos. Em março de 2024, o Parlamento Europeu aprovou uma atualização das regras sobre o desempenho energético dos edifícios, com o objetivo de criar um setor de construção com impacto climático neutro até 2050.
O Papel da R3 Natura na Circularidade
A transformação dos resíduos em novos recursos é fundamental para a construção de um futuro mais sustentável. O processo de reciclagem da R3 Natura transforma resíduos industriais de plástico e têxtil em recursos valiosos de alta qualidade, que são reintroduzidos na indústria.
Assim, as empresas-cliente da R3 Natura, adotam este modelo de Economia Circular através da transformação de resíduos industriais e da reinserção da matéria-prima reciclada no processo produtivo.
Se a sua empresa pretende fazer parte desta jornada, contacte-nos e conheça os nossos serviços. Com a economia circular, tudo pode ser reaproveitado para gerar valor. ♻